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Paixões de Vida: Família e a história da pesca do bacalhau

Opinião Ler mais tarde

João David Batel Marques nasceu em Ílhavo, no ano de 1953. Descendente de avô e pai capitães da frota bacalhoeira, frequenta a Escola Primária n.º1, na rua Ferreira Gordo, em Ílhavo e, em 1972, termina o Curso Geral de Pilotagem da Escola Náutica embarcando para a pesca do bacalhau como Piloto do arrastão “Santa Mafalda”. Seguiu-se um ano na marinha de comércio, na Companhia Nacional de Navegação, e regressou à pesca do bacalhau como piloto e imediato do arrastão “Lutador”. Em 1981, concluiu o Curso Complementar de Pilotagem, tendo assumido o comando do arrastão clássico salgador “Bissaya Barreto”.

De seguida, passou a comandar o arrastão clássico congelador “Praia do Restelo” e os arrastões popa congeladores “Almourol”, “Ilhavense” e “Nova Fé”.

Em 1979, contrai matrimónio com Maria Bicheirão Bilelo, também ela filha de capitão da pesca, e têm uma filha.

Em 1989, como não se avistava grande futuro para a pesca longínqua, regressou à marinha de comércio. Foi imediato do graneleiro “Secil Congo” e comandou o navio de carga geral “Secil Bengo”, os navios de carga geral e contentores “Secil Dande” e “Secil Namíbia”, o navio de transporte de carga frigorífica “Cuíto Cuanavale” e o navio porta-contentores “Dina”.

Por último, dedicou-se à formação profissional, tendo dado aulas de construção naval em madeira, componente teórica, e reformou-se quando atingiu a idade legal de o poder fazer.

Em 2015, por curiosidade e para ocupar o tempo, começa a ler os arquivos da Comissão Reguladora do Bacalhau e ao conversar com um amigo que pesquisava sobre navios bacalhoeiros para uma tese, questiona-se: “Mas este material dá para fazer um livro!”

Seguem-se três meses seguidos no CIEMar (Centro de Investigação e Empreendedorismo) - “Unidade de investigação nas áreas de História Marítima, Antropologia Marítima, Geografia Marítima e investigação pluridisciplinar sobre conteúdos e patrimónios materiais e imateriais representados no Museu Marítimo de Ílhavo (MMI)”, onde escreve mais de 600 páginas.

Um técnico do MMI, ao ver o seu trabalho, lança-lhe o repto para passar o trabalho feito para um livro. As ideias vão-se formando mas, após muitas hesitações dos responsáveis autárquicos, a ideia não avança.

Ainda assim, a vontade de criar um livro aumenta e lembra-se de se dirigir à Fundação Gil Eannes, a 13 de julho de 2017, onde encontra um antigo colega das lides da pesca e apresenta a ideia que, após consulta e deliberação dos responsáveis da fundação, leva à edição do 1º livro. Até hoje, já são muitos livros num total de muitas centenas de páginas retratando o que foi a grande epopeia da pesca do bacalhau, desde os navios, as pescas e as gentes que para alguns historiadores são os verdadeiros “heróis do mar”!

E ao terminar a longa conversa, com muitas histórias á mistura ainda se lembrou que também foi argumentista e realizador do documentário Campanha do São Ruy, em 2019, estando na “grelha” mais outra história sobre um navio muito importante da frota bacalhoeira, em filme. E material para um novo livro já existe só falta o “tema”!

 

 

 

Livros já publicados pelo autor:

 

"UMA VIAGEM NO TEMPO" (Catálogo de Exposição Temporária) (2017)

"A PESCA DO BACALHAU, História Gentes e Navios", composta por 4 Tomos:

TOMO I: A História e as Gentes; (2018)

TOMO II: Lugres da Pesca à Linha; (2018)

TOMO III: Os navios-motor da pesca à Linha; (2019)

TOMO IV: Os Arrastões. (2019)

"GIL EANNES", O ANJO DO MAR (2019)

 

"OS NAVIOS DE ASSISTÊNCIA À FROTA BACALHOEIRA", composto por 3 Tomos: (2021)

 

TOMO I: O "Carvalho Araújo" e o "Gil Eannes" ex "Lahneck"; (2021)

TOMO II: O "Gil Eannes" de 1955" (1.ª Parte); (2021)

TOMO III: O "Gil Eannes" de 1955 (2.ª Parte). (2021) 

"ÁLBUM DE NAVIOS DA PESCA DO BACALHAU" (2023)

"OS NÁUFRAGOS DA II GUERRA Salvos por Navios das Marinhas de Pesca e de Comércio Portuguesas" TOMO I (2025) e TOMO II (2026)

 

 

“A pesca do bacalhau é para Viana do Castelo sinónimo de história, gentes e navios. A coleção de obras que lançamos é um verdadeiro testemunho do nosso passado, mas também do nosso presente e, estou certo, uma luz para o nosso futuro. A Fundação Gil Eannes orgulha se de estar associada a este ambicioso projeto que trouxe tanto conhecimento e saber sobre Viana do Castelo e sobre o país. Esta nova edição de autoria João David Batel Marques, Capitão da Marinha Mercante é uma obra imprescindível para nos conhecermos melhor. A minúcia e o detalhe deste trabalho é obviamente o resultado de um estudo dedicado de alguém que, ao longo de muitos anos, viveu a pesca do bacalhau.....”

José Maria Costa, presidente da Fundação Gil Eannes

 

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