“Quem inventou a partida não sabia o que era amar”, instalação em coautoria de Mariana Sevila e Ruben Carneiro, estreia a 17 de abril, pelas 21h30, no Centro de Arte de Ovar. O dispositivo plástico e audiovisual reflete sobre uma arquitetura afetiva e dissidente, erguendo-se entre o desejo de partir e a necessidade de permanecer numa casa que não é, mas que promete vir a ser, casa.
“Quem inventou a partida não sabia o que era amar” apresenta a montagem de uma instalação, originalmente pensada para o espaço expositivo, agora na plateia das salas de espetáculos. Dois artistas, mulher e pessoa queer, constroem ao vivo um dispositivo que figura uma casa, entendida como objeto plástico e audiovisual. A instalação reflete sobre a arquitetura afetiva e dissidente, erguendo-se entre o desejo de partir e a necessidade de permanecer numa casa que não é, mas promete vir a ser, casa. De que forma a ausência e o deslocamento reconfiguram o sentimento de pertença? O que são, afinal, território e identidade quando se transformam em ferramentas de exclusão e silenciamento?
Esta criação inscreve-se como um objeto de investigação sobre as fronteiras de significado do espaço expositivo, entendido como o “lugar onde se expõe”. Ao transportar o formato instalação, tradicionalmente acolhido em contextos museológicos, para o espaço cénico, o projeto tensiona as convenções de ambos os regimes espaciais e questiona as fronteiras entre práticas artísticas e modos de apresentação. Qual é a importância do contexto na definição do significado da obra?
O projeto problematiza também a condição do artista contemporâneo perante os parâmetros institucionais. A tensão entre conceber uma obra que responde a uma necessidade artística e adaptar-se a formatos programáveis e legíveis para mecanismos de financiamento evoca a análise de Pierre Bourdieu sobre o campo artístico e o capital cultural, bem como a reflexão de Judith Butler sobre a formação da subjetividade em relação a normas sociais e instituições. A fricção experienciada com entidades institucionais torna-se, paradoxalmente, uma analogia com o próprio tema da dissidência: uma casa provisória, construída em território pouco permeável. A instalação oferece um lugar de pausa, de encontro e de reconstrução com o público, refletindo sobre deslocamento e pertença como experiências complementares.
Depois da estreia no Centro de Arte de Ovar, o espetáculo terá nova apresentação a 21 de maio no Cineteatro Alba. A instalação conta composição sonora de Noiserv e fotografia e vídeo de Paulo Madureira.