AveiroMag AveiroMag

Magazine online generalista e de âmbito regional. A Aveiro Mag aposta em conteúdos relacionados com factos e figuras de Aveiro. Feita por, e para, aveirenses, esta é uma revista que está sempre atenta ao pulsar da região!

Aveiro Mag®

Faça parte deste projeto e anuncie aqui!

Pretendemos associar-nos a marcas que se revejam na nossa ambição e pretendam ser melhores, assim como nós. Anuncie connosco.

Como anunciar
Aveiro Mag®

Faça parte deste projeto e anuncie aqui!

Pretendemos associar-nos a marcas que se revejam na nossa ambição e pretendam ser melhores, assim como nós. Anuncie connosco.

Como anunciar

Aveiro Mag®

Avenida Dr. Lourenço Peixinho, n.º 49, 1.º Direito, Fracção J.

3800-164 Aveiro

geral@aveiromag.pt
Aveiromag

Saúde em Aveiro: Um caminho que exige respostas e prevenção

Opinião Ler mais tarde

Rosa Aparício

Membro do Partido Socialista na Assembleia Municipal de Aveiro

 

 

O direito à saúde encontra-se consagrado no artigo 64.º da Constituição da República Portuguesa, garantindo que todos os cidadãos tenham acesso a cuidados de saúde dignos e universais. No entanto, aquilo que diariamente se passa em Aveiro levanta sérias preocupações e não pode continuar a ser ignorado.

Quem se dirige ao Hospital de Aveiro encontra, antes de qualquer cuidado clínico, um cenário que não dignifica ninguém. Prolongadas filas de trânsito no acesso a um parque de estacionamento claramente insuficiente acumulam-se e transformam a rotunda de acesso num ponto de bloqueio quase permanente. Um caos diário que afeta utentes fragilizados, profissionais de saúde sob pressão, veículos de emergência em circulação e condutores com necessidades de cumprimento de horários nos seus trabalhos.

A este cenário junta-se um parque provisório em más condições, com um piso degradado onde a lama e a sujidade fazem parte do percurso de quem procura cuidados de saúde. As quedas sucedem-se e não são poucos os utentes que chegam ao hospital a precisar de ajuda para limpar roupa e calçado. Isto não é aceitável. Isto não é digno.

Mas esta realidade não se resume a um problema de organização ou de infraestruturas. É, acima de tudo, uma questão de respeito: respeito por quem precisa de cuidados e por quem trabalha todos os dias para os garantir.

E, se quisermos falar seriamente de saúde, temos também de reconhecer que não podemos continuar a colocar toda a pressão nas unidades hospitalares e nos centros de saúde, como se fossem a única linha de resposta. Esse modelo não é sustentável, não é eficaz e, acima de tudo, não é humano.

A verdadeira transformação começa antes: começa na prevenção.

Investir em saúde preventiva não é um complemento, é uma prioridade estrutural. E esse investimento faz-se onde as pessoas vivem, onde se sentem seguras, onde confiam, ou seja, nas suas freguesias, na sua comunidade, nas suas casas.

É ao nível das juntas de freguesia que podemos promover sessões de esclarecimento em saúde, acessíveis, regulares e próximas das pessoas. Sessões que informem, que capacitem e que ajudem a prevenir a doença antes que ela se instale. É também nas freguesias que faz sentido garantir consultas de psicologia de proximidade, acessíveis a quem muitas vezes não tem meios ou disponibilidade para procurar ajuda noutras estruturas. A saúde mental não pode ficar dependente de listas de espera ou de deslocações difíceis, tem de estar onde as pessoas estão.

Importa ainda reforçar o acompanhamento aos seniores, com ações de literacia em saúde, presença ativa e combate ao isolamento. Prevenir não é apenas evitar doença física, é também cuidar do bem-estar, da autonomia e da qualidade de vida.

O apoio ao domicílio é outro eixo fundamental. Levar cuidados às casas das pessoas, acompanhar quem tem mobilidade reduzida e intervir precocemente em situações de risco é investir de forma inteligente: evita agravamentos da doença, reduz urgências e previne hospitalizações.

Também nas escolas deve ser reforçada a literacia em saúde, envolvendo os mais jovens na construção de uma cultura de prevenção.

Tratar é importante, mas prevenir é determinante.

Cada ação de prevenção bem-sucedida representa menos pressão sobre os centros de saúde, menos procura hospitalar e menos sofrimento evitável na espera de atendimento.  Significa permitir que os hospitais se concentrem naquilo que lhes compete: cuidados curativos, diferenciados e especializados.

É tempo de sermos assertivos. Não podemos aceitar como normal aquilo que é indigno. Não podemos continuar a reagir em vez de planear, nem adiar decisões que impactam diretamente a vida das pessoas.

Aveiro precisa de respostas imediatas no acesso ao hospital, mas precisa, sobretudo, de uma estratégia clara, consistente e corajosa na área da saúde preventiva e de proximidade.

Investir nas freguesias, nas pessoas, na prevenção e no acompanhamento não é despesa é garantir saúde. É construir futuro.

Porque, no final, aquilo que está em causa é simples, mas inegociável: a dignidade e o bem-estar de cada aveirense.

MMI Publicidade

Deixa um comentário

O teu endereço de e-mail não será publicado. Todos os campos são de preenchimento obrigatório.