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Vereador do Chega passa a ter funções governativas na Câmara de Aveiro. Socialistas votaram contra

Política Ler mais tarde

 

Foi hoje aprovada, em reunião privada do executivo camarário de Aveiro, a atribuição de funções governativas a Diogo Soares Machado, vereador eleito pelo Chega. A hipótese já vinha sendo aventada há algumas semanas, mas foi agora oficializada, numa votação em que o presidente Luís Souto Miranda foi obrigado a usar o voto de qualidade. Com os votos contra dos quatro eleitos do Partido Socialista e a abstenção da vereadora do CDS, parceiro de coligação do PSD na Câmara de Aveiro - que não foi tido nem achado para o acordo – os três votos favoráveis do PSD mais um do Chega eram insuficientes para fazer passar a proposta. Ao que a Aveiro Mag apurou, a distribuição de pelouros só acontecerá na próxima reunião de câmara. 

O PS rejeitou o argumento das “condições de estabilidade governativa”, exortando Luís Souto Miranda a dizer “quando foram postos em causa os superiores interesses do município pelo facto de não possuir maioria”. Na declaração de voto lida por Paula Urbano Antunes, o Partido Socialista apresentou números concretos, mostrando que “tem contribuído para a estabilidade governativa, votando favoravelmente as propostas trazidas às reuniões de Câmara”.

“A ‘oposição socialista’ que o Sr. Presidente quer combater, é colaborante, atenta, vigilante e propositora”, fizeram questão de vincar os eleitos do PS, prometendo continuar a desempenhar o papel para o qual foram eleitos: “Questionar. Propor. Pedir contas. Exigir que os princípios fundamentais da gestão pública: legalidade; impessoalidade; moralidade; publicidade e eficiência, sejam postos em prática”. “Some quem quiser à coligação com a qual ganhou as eleições autárquicas 2025: não nos calará”, avisaram, acrescentando: “Num país em que se criam perceções e fake news, não podemos concordar com a fundamentação base para este acordo, que não representa a realidade”.

Já o CDS, que deu nota das razões do seu sentido de voto num comunicado emitido pela concelhia, diz que “optou por uma posição de abstenção, não acompanhando a solução proposta, mas também não contribuindo para qualquer cenário de bloqueio ou de instabilidade no funcionamento da Câmara Municipal”. No mesmo comunicado, a estrutura partidária refere que “não foi parte de qualquer entendimento que sustente esta solução política”, entendendo que “decisões com este alcance deveriam ter sido objeto de concertação entre todos os parceiros da coligação, em respeito pelos princípios de lealdade institucional e pelos compromissos assumidos perante os eleitores”.

Do lado do PSD, a concelhia veio classificar este acordo de governação com o Chega como uma oportunidade de "elevar a política acima do comodismo". Em comunicado, os sociais-democratas sustentam que o entendimento respeita a "vontade expressa nas urnas" e visa garantir uma governação "com seriedade, ambição e respeito pelos aveirenses". No mesmo documento, o PSD defende que o acordo demonstra "maturidade democrática", apresentando-se como uma resposta aos desafios do concelho. "O acordo é a garantia que damos a cada aveirense de que os seus problemas serão tratados com total seriedade, as suas aspirações assumidas como prioridade e os recursos do Município aplicados com a máxima transparência e a maior eficácia, para que as obras que marcarão a cidade e o concelho – e que ficam para além dos mandatos – sejam uma realidade cada vez mais próxima", enaltece a estrutura local.

A Aveiro Mag contactou já o gabinete da presidência da Câmara de Aveiro e o vereador Diogo Machado no sentido de obter reações a esta votação, aguardando pelas devidas respostas.

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