“...eu sou uma estranha combinação de muito doce e não mexa comigo!

Flamínio Reis nasceu em novembro de 1933, em Aradas. O pai era fator da CP e a mãe costureira. Tinha 4 irmãos.
Frequenta a Escola Primária de Aradas e das Quintãs, isto porque o pai era obrigado muitas vezes a mudar de local de trabalho. Aos 14 anos, vai trabalhar para uma cerâmica de telhas nas Quintãs, onde está 3 anos. Segue-se a Cerâmica João Gomes Vitória onde dá os primeiros passos a pintar peças, aprendendo com um tio, e começa a estudar à noite na Escola Fernando Caldeira no aperfeiçoamento ceramista, durante 3 anos.
Aos 19 anos, e através do professor de pintura da escola, vai trabalhar para as Faianças S. Roque, trabalho que interrompe 3 meses para fazer o serviço militar. Durante 12 anos, trabalha com o pintor João Lavado. Segue-se as funções de escriturário numa cerâmica da região e, depois, as de vendedor de louça nas Faianças da Capoa.
Casou em 1955 e tem dois filhos.
Em 1977 vai para Vilar onde monta uma oficina de decoração, seguindo-se a Argilarte que se instala nas antigas instalações da Cerexport.
Entretanto, por razões familiares é acompanhado por um jovem, de seu nome Jorge, que vai aprendendo a gostar de decoração de cerâmica tendo seguido os estudos na Universidade de Aveiro. Ao terminar o curso, Jorge começa a criar peças próprias e a vender em exposições e feiras sempre com êxito e, em 1998, funda A Formiga – Cerâmica Utilitária Tradicional, na Coutada/Ilhavo. Flamínio Reis acaba por ser um pilar essencial no funcionamento da Oficina da Formiga, com o desenvolvimento e pintura dos padrões tradicionais da faiança portuguesa nos diversos formatos de peças.
Outra atividade com que ocupa o tempo é frequentar diversas aulas na Universidade Sénior da Gafanha da Nazaré e no grupo Amigos da Fotografia, arte que quando mais novo praticava com frequência, com quem visita museus e exposições de fotografia por todo o país, tendo colaborado com algumas suas fotografias em exposições realizadas por esta instituição em vários locais da região de Aveiro.
“Atualmente e com uns jovens 92 anos, Flamínio dos Reis ainda se encontra no ativo, contribuindo com a sua larga experiência na Oficina da Formiga, desenvolvendo e pintando os padrões tradicionais da faiança portuguesa.”
(Milú e Jorge – Oficina da Formiga)