No próximo dia 9 de maio, pelas 21h30, o palco do Teatro Aveirense estará transformado num “misto poético” de uma tasca portuguesa e de um boteco carioca, num espetáculo que junta samba e fado, celebrando as culturas brasileira e portuguesa e, acima de tudo, aquilo que as une. “Nós” resulta de uma produção da Associação Palco Central e nasce na sequência de projetos como o “Samba na Ria” ou o “UneSamba”. Músicos, cantores e atores vão dar corpo a “uma história de união que celebra as pontas diferentes da mesma corda”.
“Quisemos fazer um espetáculo que não fosse apenas um concerto, apostando num conceito e numa mensagem”, desvenda Rafael Campanile, diretor da produção que também terá uma componente de teatro e cenografia. Um ator brasileiro e um ator português irão, assim, juntar-se aos músicos e cantores que integram o elenco de “Nós”. A ideia é transformar o concerto numa experiência de palco completa.
A base instrumental será formada pela banda Samba da Ria, à qual se juntam músicos convidados, entre eles Nuno Botelho, um dos mais reconhecidos guitarristas de fado de Portugal. Já as vozes estarão por conta de Nuno Bastos, considerado um dos maiores cantores de samba de Portugal, e Inês Brito, uma das revelações da nova geração do fado.
“Nós” faz-se através de canções tradicionais de samba e fado já conhecidas do grande público, mas com um toque diferenciador. “Neste espetáculo, temos músicas brasileiras em fado e fados em samba. E outras num estilo híbrido”, revela ainda o diretor que é também músico, fundador da Palco Central e do Samba na Ria.
Em conversa com a Aveiro Mag a poucos dias da estreia de “Nós”, Rafael Campanile perspetivava casa cheia para aquela que será a primeira apresentação de um espetáculo que pretende unir. “Os nós deste espetáculo são nós de união, nós de amor pela terra — seja ela a de nascimento ou a de escolha. São nós que ligam histórias, culturas e pessoas. Nós que aproximam, que acolhem e que lembram que, apesar das diferenças, partilhamos muito mais do que imaginamos”, é explicado na sinopse do espetáculo.
Num tempo marcado por divisões, conflitos e discursos de ódio, importa não esquecer que Portugal e Brasil são dois países ligados por uma história comum, por afetos, por dores e por alegrias. “Não existe um discurso político no espetáculo. Diria que existe um discurso humanista, com uma mensagem positiva”, anuncia o diretor, revelando que são abordadas questões como a escravidão, a ditadura e “pensamentos que achávamos que já tinham acabado”.
“Nós” é coproduzido pelo Teatro Aveirense/Câmara Municipal de Aveiro e os bilhetes estão à venda por 7,5 euros.