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Fernando Daniel: “Orgulha-me ser visto como embaixador da região de Aveiro”

Artes

E se lhe contássemos que as primeiras atuações ao vivo do músico Fernando Daniel tiveram lugar no túnel da estação ferroviária de Estarreja numas madrugadas de verão, há vários anos, na companhia de uma guitarra e do seu amigo Fernando Mendoza? “O eco era extraordinário, era como se estivéssemos num estúdio”, recorda o jovem músico, em entrevista à Aveiro Mag.

Fernando Daniel cresceu entre Estarreja e Salreu e teve uma infância brincada ao ar livre. “Lembro-me de jogar futebol na rua, fazer corridas de bicicleta e jogar às escondidas. também nos juntávamos em casa uns dos outros para jogar PlayStation, mas sempre fomos mais de brincar na rua”. O interesse pela música surgiria num período em que esteve a morar com os avós maternos que tocavam num grupo de folclore. “Havia vários instrumentos pela casa e isso começou a despertar-me curiosidade”, lembra, sublinhando que o facto de as irmãs “gostarem muito de cantar e andarem sempre a cantarolar” também terá ajudado a inspirar a sua vocação.

Na adolescência, Fernando teve uma banda – os Saints of May – com o amigo Mendoza (hoje, seu teclista), com a qual atuava frequentemente em bares, mas só mais tarde, já depois de se mudar para Ovar, é que a ideia de uma carreira no mundo da música começa a ganhar forma.

Aos 20 anos, Fernando Daniel foi o vencedor da 4.ª edição do The Voice Portugal, em 2016, e, ainda hoje, a sua audição – na qual canta o tema “When We Were Young” de Adele perante quatro mentores visivelmente impressionados com a sua técnica e interpretação – continua a ser uma das “Provas Cegas” mais vistas da história daquele concurso de talentos a nível mundial. Só no YouTube conta com mais de 110 milhões de visualizações.

Desde aí, Fernando já lançou dois álbuns de originais – a vitória no programa da RTP valer-lhe-ia um contrato discográfico com a Universal – e deu centenas de concertos por todo o país. Sucesso atrás de sucesso, tem vindo a escalar os tops de vendas e visualizações nas diversas plataformas para, quase sempre, permanecer nos lugares cimeiros por várias semanas. Com os seus temas, já arrecadou o Ouro, a Platina e até a Dupla Platina, assim como outros importantes prémios da indústria musical. Em novembro de 2020, por exemplo, venceu o “Best Portuguese Act” dos prémios europeus de música da MTV, um galardão que distingue os artistas que mais se destacaram ao longo do ano e que Fernando já tinha vencido no ano anterior. Alguns meses mais tarde, já em 2021, voltou ao The Voice Portugal, desta vez, no formato Kids(com crianças dos 7 aos 14 anos). No novo papel de mentor, o músico estarrejense ajudaria Simão Oliveira a arrecadar a vitória.

Com apenas quatro anos de carreira, Fernando pode orgulhar-se de um percurso repleto de triunfos e conquistas, vivido nos grandes palcos e acompanhado por uma comunidade de fãs atenta, dedicada e que não pára de crescer. É, também, “com muito orgulho” que a família do jovem cantor tem acompanhado o seu trajeto. “Eles sempre souberam que era isto que eu queria. E, no momento em que eu venço o The Voice, percebendo que a minha vida estava prestes a mudar, ainda apoiaram mais. Estiveram sempre do meu lado, a dar-me força positiva”.

Cientes do seu sucesso e projeção, muita gente continua a admirar-se com o facto de o músico morar em Ovar. Em Portugal, prospera a noção de que é muito difícil vingar no mundo da música quando se está longe dos grandes centros (Lisboa e Porto). O próprio Fernando Daniel, que sempre viveu na região de Aveiro, não contraria essa tese, mas prefere “não perder tempo a pensar nisso”. “É claro que, para um rapaz de Estarreja sem contactos, sem cunhas, sem padrinhos, é mais difícil. Mas eu olho para isso de uma forma positiva. O sucesso, assim, sabe ainda melhor. As minhas conquistas são resultado do meu trabalho, do meu suor e da influência das pessoas que me apoiam. Portanto, o segredo é não pensar muito nisso e dedicarmo-nos a cem por cento ao nosso trabalho”, sugere, acrescentando que “já chega daquele centralismo que dita que só em Lisboa é que acontecem coisas e que todos os que trabalham na área da música têm de lá viver. Se é mais fácil? Sim. Mas com esforço e vontade, não são duas horas e meia de distância que me vão tirar daqui”.

Se, numa perspetiva, esta posição pode ser entendida como uma estratégia para contrariar uma certa propensão centralista vivida em Portugal, Fernando prefere vê-la mais como uma forma de sublinhar a sua identidade, vincar o papel das raízes e das memórias na sua vida e cultivar o sentido de pertença a uma comunidade. É com evidente à-vontade e conhecimento que Fernando fala dos locais que mais gosta de visitar – o mar e a praia, ali tão perto de casa, mas também a floresta, os percursos da BioRia ou o parque ambiental do Buçaquinho –, assim como algumas das suas rotinas e atividades dos tempos livres – as visitas aos pais, às irmãs e as brincadeiras com os sobrinhos, as partidas de “futénis” com os amigos, no Clube Desportivo do Furadouro, ou os jantares nos seus restaurantes favoritos, em Ovar ou em Aveiro.

São estas rotinas, estes locais e, claro, estas pessoas que ajudam Fernando “a manter o equilíbrio e a sarar o cansaço trazido do trabalho em Lisboa”. “Este é o meu refúgio, é aqui que me sinto bem”, explica, garantindo que “ainda que ninguém me tenha nomeado como tal, orgulha-me ser visto como embaixador da região de Aveiro”.

Fernando Daniel nutre “um carinho especial” pela comunidade ovarense que tão bem o tem acolhido nos últimos anos. “É impressionante a forma como me abordam na rua e se mostram orgulhosos por eu viver cá. ir à padaria tomar o pequeno-almoço e virem dar-me os parabéns e agradecer-me por viver aqui. Se há alguém que tem de agradecer sou eu”, partilha Fernando Daniel, em entrevista à Aveiro Mag.

Esta opção por fazer vida em Ovar, que o músico reitera convicta e continuadamente, tem ajudado a estabelecê-lo como agente ativo daquela comunidade, estatuto que se acentuou nos primeiros meses de 2020, numa altura em que, face a uma situação particularmente dramática de contágios pelo novo coronavírus, o município teve de ficar em cerco sanitário e adotar medidas extraordinárias no combate à pandemia.

Fernando prontificou-se a oferecer um concerto solidário à população. A atuação, realizada a 23 de maio e transmitida em live stream a partir da escadaria da igreja matriz de São Cristóvão, serviu para angariar fundos para o projeto Mãos Solidárias, um programa de ação social promovido pela paróquia local, e, de certa forma, como centelha de esperança para uma comunidade que tentava retomar à normalidade depois de, no despontar da Covid-19, ter sido uma das mais atingidas em todo o país. Aquele concerto foi também uma forma de Fernando se associar a um reconhecimento público à coragem e dedicação dos profissionais de saúde e dos responsáveis civis que tiveram que atuar numa fase tão crítica para os ovarenses.

É justo, ainda assim, ressalvar-se que o papel do músico na comunidade de Ovar vai além desse episódio pontual. Fernando afirma mesmo ter “alguns projetos em curso para a cidade”, como a criação de “um polo cultural” eclético e multidisciplinar. “Quero ajudar a criar os mecanismos para que mais gente tenha oportunidades”, afirma, deixando como exemplo hipóteses de intervenção na área que lhe é mais querida, a música: Fernando imagina um espaço “com uma sala com todas as condições para as bandas locais ensaiarem” e uma estrutura “onde as pessoas que queiram ter aulas de música, queiram aprender a compor uma canção ou agarrar a oportunidade de trabalhar na indústria, possam fazê-lo por cá e não se vejam obrigadas a deslocar-se para Lisboa ou para o Porto”.

A 16 de julho, Fernando Daniel lançou um novo single – “Raro” – que, mais de um mês depois, continua nos primeiros lugares do ranking de “Tendências” do YouTube.Apesar de, nesta canção, enveredar por novas sonoridades e ambientes mais eletrónicos, “Raro” abre a porta a uma provável reedição do álbum “Presente”. Uma versão 2.0 do disco lançado no ano passado, em plena pandemia, que deverá contar com alguns duetos e outras surpresas.

A maior de todas as surpresas, contudo, Fernando desvendou-a no vídeo de apresentação deste último single: ao terminar o videoclipe, e com a ajuda da sua companheira, Fernando anuncia que vai ser pai. A primeira filha do casal deverá nascer em dezembro e – já está decidido – vai chamar-se Matilde.

Em conversa com a Aveiro Mag, o músico de 25 anos não escondeu o entusiasmo e a felicidade, bem como uma certa dose de nervosismo. “Estamos ansiosos para que ela chegue!”, confessa. Fernando está certo que a região de Aveiro é o local ideal para Matilde crescer e afirma-se “contente por poder construir família cá”. “Se eu e a Sara nos tivéssemos estabelecido em Lisboa, dificilmente a minha filha poderia crescer próxima daquelas que são as nossas raízes. Assim, ela vai passar pelos mesmos locais que nós passámos, conhecer as mesmas pessoas e, com certeza, herdar o amor que temos pela região”.

No entender de Fernando, “a nossa terra despe-nos de deslumbramentos e deixa-nos com os pés bem assentes no chão porque nos recorda, a cada lugar e a cada pessoa, o sítio de onde viemos e aquilo que tivemos de nos esforçar para conquistar o que temos e o que somos”. “Quero que a minha filha sinta isso mesmo. Quero que ela perceba que tem de se dedicar, de se empenhar e de dar o seu melhor para atingir os seus objetivos. O facto de ela crescer cá vai ajudar a que se torne uma pessoa com ambição, uma pessoa lutadora e que respeite as suas raízes e tenha orgulho nelas”, concluiu.

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