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Rui Almeida: “Sonho conseguir mostrar o meu trabalho pelo mundo inteiro”

Artes

Nos primeiros dias de junho, o jovem músico Rui Almeida, natural de Canelas, Estarreja, venceu o 1.º prémio da “The Ryan Anthony Memorial Competition”, a competição a solo da 46.ª Conferência da Guilda Internacional de Trompete, em San Antonio, no Texas (Estados Unidos da América). Uma “experiência única” de crescimento pessoal e musical, que lhe trouxe “níveis de reconhecimento que nunca tinha experimentado”, que lhe tem “aberto portas” no mundo da música e servido de incentivo para “continuar a apostar na formação”.

Rui começou a estudar música aos seis anos, em Canelas. Nos primeiros tempos, as aulas limitavam-se a “exercícios de solfejo e atividades de exploração musical em grupo”, apropriados para as crianças daquela idade. Só um ano mais tarde, muito por influência do irmão, é que Rui vem a juntar-se à Banda Bingre Canelense, passando a dedicar-se a um instrumento específico – Paulo Almeida, oito anos mais velho, tocava trompete, e Rui, “sem qualquer hesitação”, elege o mesmo instrumento que se habituara ouvir o irmão praticar para si próprio. É, também por isso, curioso que tenha sido com Paulo enquanto professor que o jovem canelense deu os primeiros passos no trompete. Desde aí, “a música, e o trompete em particular, passaram a ser elementos fundamentais da nossa relação, marcando-a de forma indelével”, afirma o músico de 22 anos, em entrevista à Aveiro Mag.

Recentemente, Paulo assumiu o cargo de maestro da Banda Bingre Canelense. No entanto, até ao dia em que o mais velho reclamou a batuta, os irmãos eram companheiros de banda, tocando lado a lado. “Começámos por estar algo afastados dentro do naipe , mas, à medida que eu ia ganhando experiência, consegui subir de cadeira, até ficar junto a ele”, esclarece Rui. “Já tocávamos lado a lado há oito anos”, recorda, com alguma saudade, ainda que admita ser “muito bom ser dirigido pelo meu irmão”. “Por um lado, ele é um maestro especialmente atento ao trompete, o instrumento que tocou durante toda a vida. Por outro, é excelente termos à frente da banda uma pessoa que conhecemos desde sempre, que é nosso amigo e em quem confiamos”, observa, orgulhoso.

Voltando ao percurso musical de Rui, meses depois de ingressar na banda de Canelas, foi a vez de fazer provas para o Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, em Aveiro. “Preparei duas peças em trompete – acho que toquei o Hino da Alegria e O Balão do João – e apresentei-me perante um júri. Entrei, mas como ainda não tinha idade para o primeiro grau, integrei a fase de iniciação”, relata o jovem músico. Nessa época, a música ainda não era mais do que uma brincadeira para Rui Almeida. Lembrando as primeiras vezes que se apresentou ao vivo para um público, em audições do Conservatório, Rui admite que, naquela altura, ainda “levava a música com bastante descontração”. “Nesse tempo não me preocupava em tocar bem ou em impressionar as pessoas. Pegava no trompete e, simplesmente, aproveitava o momento. Divertia-me. Dava-me prazer tocar, fosse com pessoas à frente ou sem pessoas à frente”, relata. “Só muito mais à frente, com o avançar da idade e o aumento do nível da exigência, é que a responsabilidade (e o nervosismo) começaram a aparecer”.

Rui concluiu o oitavo e último grau do Conservatório, em 2017, com a nota máxima de 20 valores, entrando, no ano seguinte, para a ESMAE – Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo -, no Porto, na classe do professor Kevin Wauldron. Atualmente, está a concluir a licenciatura.

Para alguém ligado ao universo da música desde tão cedo, é interessante notar que a sua primeira memória musical não reflita um qualquer episódio relacionado com a banda ou o Conservatório. Trata-se, pelo contrário, de uma recordação bem mais antiga, insólita e pitoresca. “Acho que o primeiro contacto que tive com a música, e que me levou a querer dar os primeiros toques musicais, foi ouvir o meu pai a assobiar”, confirma Rui. “O meu pai é construtor civil e passa o dia a assobiar. Em criança, passava muito tempo com ele – em casa, no quintal, no trabalho – e ele estava sempre a assobiar música tradicional e romântica”.

Empenhado em completar a sua formação com um mestrado em ensino de música, Rui não esconde a ambição de se tornar músico profissional e percorrer o mundo. “Sonho conseguir mostrar o meu trabalho pelo mundo inteiro, seja a solo, com uma orquestra, uma banda, um grupo funk ou a acompanhar um cantor”, confessa Rui. “E gostava de conseguir tocar pelo mundo sem que para isso tivesse de ir viver para os Estados Unidos, para Inglaterra ou para a Alemanha. Continuar a ter cá a minha base, mas a liberdade para andar pelo mundo inteiro”, completa. Ainda assim, o jovem está ciente das dificuldades inerentes à profissão: “O mal dos músicos freelancers é que assim que terminam um concerto estão desempregados. Gostava de alcançar alguma estabilidade, como músico ou como professor, mas, até lá, o mais importante é a persistência”.

Em junho passado, Rui Almeida foi distinguido com um importante prémio internacional, numa competição à qual concorrem várias centenas de músicos de todo o planeta. “É um dos maiores concursos de trompete mundo”, atesta.

Este não foi, todavia, o primeiro galardão que Rui Almeida conquistou. Já em 2010, por exemplo, tinha vencido o Concurso Terras de La Sallete, competição onde viria a ser premiado por três anos consecutivos.“Uma das regras desse concurso é que, quando ganhamos uma categoria, passamos obrigatoriamente para a categoria seguinte, independentemente da nossa idade”, explica Rui. “No entanto, como no primeiro ano em que fui premiado o Terras de La Sallete ainda era um concurso nacional – só no ano seguinte passaria a internacional -, acabei por ter a oportunidade de concorrer dois anos seguidos na categoria infantil. Venci das duas vezes, assim como no terceiro ano, aí sim, já na categoria seguinte”. Durante vários anos, Rui não voltou a participar em concursos, à exceção de algumas competições internas do Conservatório de Música de Aveiro. Aliás, foi neste âmbito que, em 2017, um 1.º lugar num concurso do Conservatório lhe permitiu tocar a solo com a Orquestra Filarmonia das Beiras que, mais tarde, o convidou para levar a palco o concerto para trompete do compositor austríaco Joseph Haydn. Mais recentemente, em 2021, voltou ao lugar cimeiro do pódio no concurso de trompete da Póvoa de Varzim, onde pôde tocar com a Orquestra do Norte.

Mercedes Publicidade

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