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Avenida Dr. Lourenço Peixinho, n.º 49, 1.º Direito, Fracção J.

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A Estação, a Avenida, as Pontes e o Rossio

Opinião

Inaugurado que está o parque de estacionamento do Rossio, apraz-me, enquanto aveirense independente, emitir uma opinião final sobre um conjunto de obras que visou reabilitar o centro urbano de Aveiro. Uma opinião apaixonada, desprovida de qualquer tipo de influência político-partidária e que não é mais do que um simples exercício de reflexão sobre uma série de intervenções/alterações urbanísticas que, ainda hoje geram polémica, mas que no cômputo geral, julgo que trouxeram mais coisas boas do que negativas a Aveiro.

1 – A Estação da CP

O edifício da antiga Estação de Aveiro voltou a ganhar todo o seu esplendor! Fantástica obra de reabilitação (como querendo provar que é possível reabilitar sem alterar a essência do que está a ser intervencionado), à qual faltou a capacidade (ou competência) de lhe dar uma maior utilidade. A nossa Estação é, sem dúvida, uma das mais bonitas de Portugal, mas quem lá entra depara-se com um espaço que, na prática, não tem mais para oferecer do que muitas lojas de comércio que vendem o sal, os ovos moles, os vinhos da Bairrada e mais uma série de produtos da nossa região. A Estação está fantástica por fora, mas por dentro, desilude por completo.

2 – Avenida Dr. Lourenço Peixinho

Continuo a ficar admirado quando ouço ou leio opiniões sobre a “nova” Avenida, limitando essas mesmas opiniões à capacidade que a principal artéria da cidade passou a ter em “escoar” o trânsito automóvel, como se isso fosse o mais importante! E não é! De facto, uma avenida “afunilada” junto às “Pontes” e com várias rotundas no lugar dos antigos cruzamentos com semáforos, fez aumentar as filas de automóveis, mas reduzir uma opinião sobre a obra apenas ao trânsito automóvel não faz sentido nenhum. Mais: nem deve ser o mais relevante. Relevante é destacar os passeios mais largos, sem buracos, nem altos e baixos. Relevante é a prioridade que foi dada aos peões. Relevante são as áreas pedonais que todos ganhámos com a ligação da Praça Jaime Magalhães Lima à própria Avenida, por exemplo. É notório que a Lourenço Peixinho já tem hoje nova “vida” e tem tudo para continuar a rejuvenescer. Ainda em relação ao trânsito automóvel, a Avenida passou a ter uma via para os carros e outra para os autocarros, mas infelizmente, o que não muda é a falta de civismo da grande maioria dos aveirenses. A culpa não é da obra, é das pessoas que, todos os dias, continuam a estacionar os seus carros na via dos autocarros, só porque vai ao Banco, ou porque vai tomar café, ou porque vai fazer o Euromilhões. A culpa é também de uma Polícia Municipal que podia ter aqui um papel fiscalizador e que continua ausente das ruas no dia a dia da cidade. Mas aqui concordo com Ribau Esteves: Aveiro continua sem perder a oportunidade para entrar na Avenida de automóvel! E posso dar o meu próprio exemplo: vou, praticamente, todos os dias a casa dos meus sogros, em plena Avenida Lourenço Peixinho, e nunca entro com o carro na Avenida. Para quê, se posso deixar o carro no Estacionamento da Estação ou no parque que fica por trás do Centro Comercial Oita? De resto, a Avenida não tem menos árvores como muitos diziam (há que dar tempo ao tempo para que possam crescer), tem uma melhor iluminação e, com a deslocação da estátua do soldado desconhecido, ganhou uma nova e agradável praça.

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3 – As Pontes

Apesar do ponto positivo que foi a substituição do paralelo por um piso alcatroado, entendo que as obras na Praça Humberto Delgado são as que poderão oferecer mais críticas negativas. Desde logo pela obra que, em breve, ainda será colocada no centro da rotunda: uma obra que custará 350 mil euros e que só poderá ser vista na sua totalidade para quem opte por dar um passeio de moliceiro! Ou seja, já não bastava aquela “coisa” de se avançar para uma obra que não foi apresentada aos aveirenses (algo que, sinceramente, nunca tinha visto em nenhum concelho deste país), como depois, a surpresa acabou por ser decepcionante: uma obra, de gosto discutível, vai ali ser colocada para apenas turista ver.

4 – O Rossio

Fui e continuo a ser contra a instalação de um parque de estacionamento subterrâneo no Rossio. Primeiro, porque não é preciso ser especialista em planeamento urbano para saber que toda e qualquer cidade moderna europeia trabalha, atualmente, em projetos que permitam retirar os automóveis dos respetivos centros dessas mesmas cidades; depois, porque não é um parque com capacidade para apenas 200 automóveis que se vai resolver o problema de estacionamento em Aveiro. Quanto ao resto da obra (custou vinte milhões, é bom que se tenha presente o seu custo!), gosto! Não tem menos espaço verde do que o anterior, passa a dispor de uma praça que poderá receber eventos e, acima de tudo, deixámos de ter um espaço desleixado, abandonado e com passeios completamente estragados. Temos hoje um Rossio, que à semelhança do que foi feito na “Lourenço Peixinho”, dá prioridade às pessoas. E, claro, muitos daqueles que se opuseram radicalmente ao novo Rossio, foram os mesmos que, ainda recentemente, lá foram para festejar o São Gonçalinho. É sempre assim.

Aveiro foi sempre uma cidade avessa à mudança. Lembro-me perfeitamente do que foi a reação coletiva quando se decidiu fechar a Rua Direita ao transito automóvel! Um escândalo, diziam. Hoje, a Rua Direita é, muito possivelmente, a rua mais bonita de Aveiro. Mas pronto.

Em suma: entre vantagens e desvantagens, entre aspetos positivos e menos positivos, Aveiro está mais moderna, mais bonita e mais alegre.

 

 

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