Quais são as suas principais prioridades para este mandato?
Nós temos prioridades nas várias áreas e definimos quatro grandes linhas estratégicas, associadas a anos temáticos. E temos também aquilo a que chamamos propostas âncora.
O programa está muito organizado com terminologia náutica, alinhada com a nossa tradição. Faz todo o sentido nesta terra. Trabalhamos com múltiplos de quatro: quatro freguesias, quatro anos de mandato, quatro grandes linhas estratégicas, quatro ações-charneira.
Temos a intenção de criar um “ano municipal” para cada área estratégica: 2026 será o ano municipal da Educação; 2027, do Associativismo; 2028, da Responsabilidade Social e Ambiental e 2029, da Identidade Cultural.
E depois temos projetos âncora relacionados com cada um destes temas.
O que o levou a adotar esta estrutura em anos temáticos? Que vantagens vê em dedicar cada ano a uma área específica?
Tem a ver com essa simbologia dos quatro: quatro freguesias, quatro anos, quatro linhas estratégicas. Ajuda-nos a organizar e a comunicar.
Em termos concretos: na Educação, queremos estabelecer uma parceria com a Fábrica da Ciência Viva para os programas TechLabs e Escola Ciência Viva. Já começámos a trabalhar com o professor Pedro Pombo, que, além de diretor da Fábrica, é nosso munícipe, mora na Coutada.
Na Ação Social, queremos rapidamente disponibilizar uma carrinha de serviço móvel para pequenas reparações domésticas. Para pessoas mais velhas ou com mobilidade reduzida, essas pequenas coisas são grandes problemas: mudar uma lâmpada, trocar uma tomada, ajeitar uma torneira. Essa carrinha também vai servir para um serviço de transporte a pedido.
Temos consciência de que o transporte público tem muitas limitações, sobretudo nos horários e na proximidade a quem mais precisa. Vamos criar uma espécie de “táxi social” para levar pessoas aos serviços de saúde, à Câmara, às Finanças, ao notário, até às compras, se for caso disso. Estudando sempre caso a caso, para perceber quem tem mesmo necessidade.
Naquilo a que chamamos valorização do capital humano, queremos criar um programa “Viver Melhor no Trabalho”. A felicidade no trabalho não é só um propósito nobre, é também uma questão de eficiência. Uma pessoa feliz é muito mais produtiva. Prefiro alguém que venha trabalhar e trabalhe quatro horas a sério do que alguém que esteja aqui oito horas e não trabalhe nenhuma. É a diferença entre ir ao treino ou ir treinar. Vamos trabalhar com plataformas e empresas que se ocupam da saúde social, financeira, mental. São áreas críticas.
Quantos trabalhadores tem o Município de Ílhavo? E como pretende envolver essa estrutura?
São cerca de 600 trabalhadores: aproximadamente 300 na estrutura base e outros 300 que resultam da transferência de competências na Educação, o pessoal não docente.
Queremos muito fazer coisas em comum com eles. Na sexta-feira, juntámo-nos com as chefias e passámos o dia no Luso, para partilhar ideias e para que todos soubessem o que é que cada um anda a fazer. As pessoas vivem na mesma casa, mas às vezes não fazem ideia do que o vizinho faz. Foi muito interessante.
Na segunda-feira, reunimos com todo o pessoal, na Casa da Cultura, para lhes explicar ao que vimos. Dissemos duas coisas básicas: transparência e compromisso. Eles não são obrigados a ter estudado o nosso programa, mas têm de saber que viemos para realizar esse programa. A partir de agora, esse programa é de todos. Têm de estar comprometidos com ele.
Oferecemos-lhes um caderninho a que chamámos “check-in” e que representa o início da viagem, assim como um “bilhete”, com um QR Code com uma “Mensagem do Capitão” (o presidente).
Falemos da Cultura. Um dos seus objetivos é transformar Vale de Ílhavo numa verdadeira Aldeia de Portugal. O que é que falta lá, neste momento?
Vale de Ílhavo é uma Aldeia de Portugal… mas, neste momento, é uma fraude. Não tem nada que justifique alguém vir de Aveiro — quanto mais de Santarém ou Braga — para visitar. E há pessoas que fazem esses roteiros. A classificação como Aldeia de Portugal pressupõe que haja um roteiro, uma experiência. Neste momento, se alguém for a Vale de Ílhavo e quiser comprar uma pada às três da tarde, não encontra.
Queremos criar um museu do pão, “Do grão à mesa”, com o circuito completo do pão. Há muitos fornos desativados, padeiras, alfaias, materiais que podem ser expostos. Não têm de os doar, basta emprestar em depósito. É fundamental que haja pelo menos uma padaria a funcionar, nem que seja só ao fim de semana. Uma aldeia do pão sem pão é um paradoxo.
Queremos também trabalhar a máscara do Cardador. A máscara ibérica hoje tem mercado: o Entrudo Chocalheiro de Podence é um bom exemplo. Mas a máscara do Cardador é riquíssima, mais rica até, porque cada máscara é diferente e conta uma história. Podemos criar intercâmbios com grupos de máscaras portugueses e espanhóis, sobretudo da Galiza, criar um festival, associar gastronomia, fazer de Vale de Ílhavo um destino real, não apenas uma placa na estrada.
No eixo do Associativismo, Desporto e Juventude, que projetos-âncora é que destaca?
Primeiro, o Gabinete de Apoio ao Associativismo. Um dirigente associativo, mesmo que seja advogado, sabe bem as dificuldades que as associações têm para cumprir obrigações fiscais, administrativas, legais. O modelo jurídico atual é quase um convite para ninguém querer ser dirigente. É um fardo enorme.
A maioria das associações não cumpre as obrigações, algumas nem sabem que elas existem. Ílhavo tem 82 associações. Não faltará trabalho para o jurista que vier para aqui.
No desporto, queremos transformar o antigo Centro de Formação da Senhora dos Campos, na Colónia Agrícola, num verdadeiro centro de estágio e, a prazo, num Centro de Otimização do Desempenho Desportivo e Pessoal. O edifício tem auditório, cozinha, um frigorífico americano que ainda está envolto em celofane, áreas de apoio. Está estruturalmente bom. Tem problemas com fibrocimento e o mobiliário está datado, mas, para centro de estágio, serve.
Vamos tentar que, no âmbito da entrega de património do Estado não utilizado às autarquias, aquele espaço passe para nós. A ideia é ter lá um nutricionista, um fisiologista, um preparador físico, um médico, e que essa estrutura sirva todos os clubes locais. Que os atletas possam ir lá às consultas, preparar-se melhor.
Os estágios também criam laços entre os miúdos, reforçam a ligação à equipa e à terra. E, no verão, podemos alugar o espaço a clubes de fora e gerar receita. Eu, na Federação de Basquetebol, sei bem o problema que é arranjar alojamento barato para escalões jovens. Em muitos sítios, os miúdos dormem em escolas, no chão. Aqui, em Ílhavo, teriam a vantagem de poder ir de bicicleta à praia, estar perto de Aveiro, ter a ria ao pé, fazer caminhadas. É um território com natureza, com piscinas, com campos desportivos.
O espaço à volta é enorme. Hoje temos o edifício, amanhã podemos pôr um minigolfe, uma piscina exterior. Há potencial para criar, a partir dali uma verdadeira cidade desportiva.
A médio prazo, temos de olhar para o pavilhão do Illiabum. O pavilhão não tem futuro tal como está. Inunda de 15 em 15 dias. A água estraga os pisos. Arranjá-lo implica alterações muito grandes. Não sei se vamos construir uma solução amanhã, mas temos de reconhecer que a atual solução tem problemas graves, estruturais. E também é preciso melhorar balneários, zonas sociais dos espaços desportivos. Isso é fundamental para fidelizar as pessoas aos clubes. Se os miúdos forem jogar ao Galitos ou à Esgueira e virem que os balneários e envolventes são melhores, vão comparar.
Na área da Inclusão e Responsabilidade Social, que propostas ganham prioridade?
Queremos criar parcerias e protocolos com instituições e empresas para acolher pessoas com deficiência ou em situação de maior vulnerabilidade no mercado de trabalho. Queremos um programa de apoio ao empreendedorismo jovem, com um sistema de crowdfunding para novos projetos. Nas incubadoras há ideias muito interessantes que depois morrem por falta de tempo, de apoio, de meios. Vale a pena apostar.
No Ambiente, Mobilidade e Planeamento Urbano, queremos ampliar a rede de ciclovias e fechar circuitos, criar um percurso integral no município. Queremos criar “bairros comerciais digitais”, trabalhar a digitalização do comércio local.
Por falar em comércio local, o centro de Ílhavo está, há muito, identificado como zona que precisa de revitalização. Do ponto de vista da Câmara, o que é possível fazer?
A câmara já fez algumas coisas com os operadores comerciais: campanhas de dinamização, apoio ao vitrinismo, à renovação de espaços. Mas a adesão foi fraquíssima. As pessoas vivem no limite da rentabilidade, não sobra muito para grandes exercícios de criatividade. Remodelar uma loja ou um café é caro.
Há dois fatores importantes: segurança e iluminação. Vamos começar a trabalhar nisso com seriedade. Já pedimos reunião ao Comando Distrital da GNR.
Depois, é preciso organizar eventos que tragam pessoas ao centro. Isso aumenta a probabilidade de consumo e a rentabilidade dos negócios. Queremos, por exemplo, um festival associado à gastronomia: a nossa e a dos países com quem temos geminações. Um festival internacional de gastronomias e petiscos.
E queremos tratar bem um produto que não tratamos bem: o choco. Estamos sempre muito focados no bacalhau, mas muito do choco frito que se come em Setúbal é pescado aqui, na nossa ria. Os pescadores de choco vivem tristes, e eu também, que gosto de choco, porque não há o culto do choco na nossa terra. Os outros vivem à nossa custa, gastronomicamente falando.
Queremos criar uma dinâmica no centro de Ílhavo, também porque muitas pessoas ficaram tristes com a saída do Festival do Bacalhau daqui. O festival começou aqui e depois foi deslocado para junto do mar — era a única forma de ganhar dimensão, é verdade. Mas há quem preferisse que ficasse pequenino e aqui. Temos de compensar isso com um conjunto de iniciativas no centro, para entusiasmar o comércio, qualificar a oferta e atrair novos operadores com olhares frescos. Alguns projetos – o restaurante Mozzarella, o café Gerações ou o bar Offside – deram certo, outros não. A livraria é um exemplo que não teve o destino que gostaríamos.
Refere-se à Xylocopa?
Sim. São realidades diferentes. As pessoas não têm esse tipo de cultura – mas não têm porque não as habituámos a ter.
Uma das coisas que queremos fazer, ligando Cultura e Educação, é inspirar-nos em exemplos como Paraty, no Brasil, ou Óbidos, em Portugal. Criar uma feira do livro com dimensão, uma semana dedicada aos livros.
Queremos usar o Cais Criativo da Costa Nova para criar uma espécie de residência literária. A ideia é ter um apartamento bom, que possa acolher escritores nacionais e internacionais durante 15 dias. Essa pessoa vem, instala-se, escreve, convida amigos, faz tertúlias – e essas tertúlias são abertas ao público.
As escolas podem frequentar esse espaço, conviver com esses autores. Ao fim de 10 anos, podemos ter uma nova geração que gosta de escritores, que conhece escritores, que cita escritores, que lê. E não tem de ser um mercado erudito. Qualquer cidadão pode ler: pode ser carpinteiro, canalizador, o que for, e gostar de livros. Isso só enriquece as pessoas.
Hoje, um pouco por todo mundo, as pessoas leem nos transportes. Nós podemos introduzir esse hábito. A Xylocopa, provavelmente, teve razão antes do tempo. O projeto era notável.

No turismo e na imagem identitária, falámos do pão e dos cardadores. E o bacalhau? Ílhavo é apontada como capital do bacalhau, mas quem vem de fora nem sempre encontra facilmente onde o comer.
É verdade. Não há um sítio “óbvio” para comer bacalhau em Ílhavo. Se alguém me perguntar: “Onde é que eu tenho a certeza de que como bacalhau?”, eu digo: no Batista, em Aveiro.
Queremos apostar num Centro de Interpretação da Pesca, Transformação e Gastronomia do Bacalhau na Gafanha da Nazaré, porque muitas das nossas histórias do bacalhau estão “deste lado”.
A ideia é recriar três armazéns de Saint John’s da Terra Nova, e, em cada um deles, ter um núcleo diferente: um museológico mais convencional; outro mais vanguardista, com ferramentas tecnológicas, inteligência artificial, experiências imersivas; e outro mais ligado à gastronomia. Por exemplo, permitir aos miúdos perceber como se navegava no século XVII sem instrumentos náuticos, como se viajava pelas estrelas.
Queremos também repensar o Festival do Bacalhau, melhorá-lo, torná-lo mais surpreendente para quem nos visita; queremos, por exemplo, que nas Tall Ships Races de 2027 haja uma ação em Ílhavo. Este ano será em Sines, mas há um conjunto de iniciativas que percorrem o país e queremos receber alguma coisa cá.
Ílhavo é um território privilegiado: tem a Costa Nova, a Praia da Barra, a Vista Alegre, o Museu Marítimo… muitos municípios não têm uma única coisa deste nível e têm de inventar. Nós ainda temos o pão, os cardadores, uma série de outros elementos que podemos juntar.
Temos de criar uma narrativa que ligue tudo isto, uma “história encantada”. Um passaporte turístico em que as pessoas vão carimbando as visitas aos sítios-chave e, no fim, recebem um prémio, seja ele qual for. E qualificar a oferta em cada ponto.
Na Costa Nova, queremos um Mercado de Natal à grande, ao nível do centro da Europa, não “estas coisas” tímidas que se fazem por cá. A Costa Nova, por si, já é um território encantado. Se estiver decorada como deve ser, pode ser um lugar lindíssimo para um mercado natalício, com barraquinhas, vinho quente, rabanadas.
Queremos trabalhar com a Associação de Artesãos Alheta, levá-los a ver o que se faz lá fora. Há coisas lindíssimas no artesanato de Natal.
Eu gosto muito de Natal. Tive Natais muito pobrezinhos, e agora vivo o Natal à grande. Tenho uma coleção de Pais Natais. Quando alguém viaja, traz-me um Pai Natal. Tenho uma coleção enorme. E vejo, por exemplo, na Alemanha, na Floresta Negra, aldeias que são quase “aldeias Natal”.
Na Vista Alegre também há um potencial enorme. Aquela zona operária antiga é lindíssima, apetece fazer ali qualquer coisa. Eles têm o presépio; podemos, em parceria, criar outras figuras do Natal — pastores, figuras tradicionais — em porcelana ou outros materiais. Se fizermos, por exemplo, quatro ou cinco figuras por ano, daqui a uns anos temos um acervo extraordinário e um destino de Natal de referência. Podemos ter dois grandes destinos natalícios: Costa Nova e Vista Alegre.
Outra coisa que gostaríamos é reforçar a relação com as IPSS na organização dos grandes eventos. Por exemplo: numa festa qualquer, em vez de bandeirinhas de papel, porque não bandeiras náuticas, em tecido ou croché, feitas pelas pessoas ao longo do ano? Antes de abrir a festa ao público, abrimos primeiro para elas: vêm ver o seu trabalho, comemos a primeira sardinha juntos, valorizamo-las. Mantemos as pessoas ativas, comprometidas com um processo.
Tem um plano para os primeiros 100 dias de mandato. O que pretende ver concretizado nesse período?
São basicamente as ideias-chave, as propostas-âncora. Voltamos aos múltiplos de quatro: chegamos ao número 24. São 24 compromissos muito claros.
Alguns exemplos: disciplinar o estacionamento nas praias, revertendo a solução da “espinha invertida”, que foi uma tentativa de resolver bem um problema, mas que acabou por não resultar. Não tenho nada contra quem tomou aquela decisão; não foi para prejudicar ninguém, foi para tentar melhorar. Mas não resolveu. Vamos corrigir;
Criar um parque em cada freguesia, plantando uma árvore por cada criança que nasça no concelho. Estamos a trabalhar com o registo civil: por cada criança, plantamos uma árvore com o nome da criança. Simboliza a criação de raízes na nossa terra. Vamos cuidar da árvore como queremos cuidar daquela criança. Criamos pequenos “pulmões verdes” e destinos para as próprias crianças: “Aquela árvore sou eu; nasci naquele dia”;
Criar uma aplicação móvel para que as pessoas possam reportar pequenos incidentes em tempo real, com georreferenciação e fotografia. O problema é sinalizado, vai para o serviço respetivo, e a pessoa recebe uma informação: “Esperamos resolver este problema em X dias”. Ao fim desse período, recebe a confirmação com fotografia ou uma explicação sobre o atraso. A aplicação terá também informação básica sobre estado do tempo, programação cultural, informação útil. Permitirá ainda pedir marcações de reuniões com os serviços da Câmara, sem ter de vir cá ou mandar e-mail;
Criar o “Roteirómetro”, uma ferramenta online de acompanhamento e monitorização da execução material das propostas do programa. Uma linha para cada proposta, com o estado “não executado”, “em execução”, “executado”. Queremos, mais tarde, acrescentar o custo: quanto custa cada medida, quanto já foi gasto, para que as pessoas saibam onde é que andamos a gastar o dinheiro de todos;
Criar provedores para as áreas da Educação, Juventude, Maioridade e Eficiência. Na campanha tivemos mandatários para estas áreas, que nos ajudaram a construir propostas. Agora vamos criar regulamentos para escolher provedores, que poderão ou não ser essas pessoas;
Na ação social, reforçar a relação com as IPSS na organização de grandes eventos e implementar o programa “Viver Melhor no Trabalho” na estrutura municipal;
Apresentar formalmente o programa do ano municipal de Educação, que será 2026;
Reforçar as relações com as associações de pais, no sentido de encontrar soluções para os períodos não letivos. Temos a noção de que, para muitos miúdos, as refeições mais consistentes são as que comem na escola. Não podemos ter crianças 15 dias em casa, sem refeições em condições. Outros têm pais a trabalhar e nenhuma retaguarda.
Vamos criar, em parceria com entidades como o CASCI (que tem instalações na Colónia Agrícola) e com clubes, programas de acolhimento nas férias. Já existem programas de férias, públicos e privados, mas são caros e difíceis de conciliar. A ideia é um modelo mais simples de acolhimento: os miúdos estão lá, brincam, correm, comem, sujam-se, tomam banho ou vão tomar banho a casa. Um centro de acolhimento com quinta, pavilhões, bibliotecas, cinema. A preços simbólicos. Se tivermos 50 miúdos no CASCI a 20 euros cada, são mil euros. Para essas 50 famílias faz uma diferença enorme. Eu tenho bem noção do que é isto: fui presidente de associações de pais quase 20 anos. Sei o que são os problemas das famílias com os miúdos nas férias.
O que espera deixar como legado ao terminar o mandato?
Gostava de chegar ao final do mandato tendo cumprido o essencial das propostas com que me candidatei. Tenho a noção de que foi também por isso que as pessoas votaram em nós: pelas pessoas que compõem a equipa, pelo percurso que temos, e pelo simbolismo e criatividade de muitas das propostas.
Sabemos que algumas são ousadas, ambiciosas, talvez até demais. Mas queria muito que, no fim, o “Roteirómetro” estivesse praticamente concluído.
Tenho consciência de que, no caminho, não vamos fazer só isto. Há um conjunto de grandes atividades que a Câmara já desenvolve, com grande qualidade, que não há razão nenhuma para abandonar. Vamos somar estas novas propostas ao que já existe.
Sei também que vamos ter imprevistos, alguns com impacto muito violento na nossa estratégia. Hoje sabemos que os fenómenos climáticos extremos se intensificam e vão ser mais frequentes. Temos um território muito exposto, pela costa e pelo nível freático. Teremos problemas a esse nível.
Provavelmente vamos ter de nos desviar do cumprimento de alguns propósitos para responder a emergências. Isso é inevitável. O caminho não vai ser uma linha reta a unir dois pontos.
O que eu gostava é que, no fim, fôssemos recordados como pessoas que estiveram comprometidas com o processo, que fizeram o melhor que podiam e sabiam, e que saem daqui de consciência tranquila, porque deixam um legado.
Nós somos todos “idosos”, como algumas pessoas dizem (risos), e não temos ambições de usar isto para nos catapultar para outros cargos. Queremos que este seja, não diria o último capítulo, mas uma espécie de conclusão de um percurso de exercício de cidadania e de vida comprometida com a comunidade.
Podem surgir outros desafios, estaremos disponíveis para os encarar se fizer sentido, mas não é para isso que viemos para aqui. Não viemos para construir uma carreira política. Viemos para servir.
Para terminar, que mensagem deixa, em direto, aos munícipes ilhavenses neste arranque de novo ciclo autárquico?
Gostava de lhes dizer que viemos para aqui com o mesmo entusiasmo com que vivemos toda a nossa vida até hoje. Com o entusiasmo com que construímos este programa. Viemos trazer ideias criativas, originais, modelos diferentes de fazer bem à vida das pessoas. E que, à semelhança dos autarcas que nos antecederam, estamos profundamente comprometidos com um exercício de rigor e de exigência. Para ajudarmos cada ilhavense a ser mais feliz.