Os jovens valorizam causas sociais e demonstram vontade de contribuir para uma sociedade mais inclusiva, justa e sustentável. Contudo, demasiados entraves impedem que esta predisposição se traduza em participação cívica, social ou política institucional formal. Estudos recentes da OCDE mostram Portugal entre os países com níveis mais baixos de participação. No que respeita a condições de vida, a OCDE destaca que 25% das desigualdades de oportunidades resultam de circunstâncias herdadas, como o contexto socioeconómico dos pais. Portugal situa-se entre os países com maior peso nestas desigualdades e, de facto, os jovens têm uma probabilidade significativamente maior de viver na pobreza do que a média da população. De acordo com dados do Eurostat, o grupo 16–24 anos aparece como o mais vulnerável.
Na escola, a investigação evidencia que alunos do básico e secundário provenientes de meios desfavorecidos apresentam piores resultados nas avaliações internacionais. Quando se trata de comunicar em público e fazer apresentações, o medo de falar em público é um dos maiores medos e a ansiedade sobe, particularmente pelas lacunas no sistema educativo no que respeita à educação para a comunicação em público e para o desenvolvimento de competências socioemocionais.
No domínio do bem-estar social e psicológico, a Organização Mundial de Saúde (OMS) lança um alerta em números aos governos: a nível global, um em cada cinco jovens entre os 13 e os 29 anos reporta sentir solidão. Os números são preocupantes. Em Portugal, em 2023, o estudo Ecossistemas de Ambientes de Aprendizagem Saudáveis revelou que seis em cada 10 jovens do ensino superior sentem-se exaustos, tristes ou deprimidos, e 40% consomem medicamentos psicotrópicos. Neste estudo, os jovens pedem mais empatia por parte de quem os ensina e mais inteligência emocional. Em 2022, um outro estudo indicou que 21% dos jovens universitários afirmam não ter nenhuma pessoa especial com que possam contar quando precisam. Para muitos dos estudantes a qualidade das relações sociais é baixa. Mais de metade dos jovens tem dificuldade em encontrar um propósito de vida e expressam preocupação com o futuro financeiro.
Perante necessidades e obstáculos como estes, e porque a educação pode e deve funcionar como um elevador social, foi estabelecida uma parceria entre as iniciativas Sala Comum/TO BE DO e a UNAVE para a criar do Laboratório de Comunicação em Público para Jovens. Assente em três pilares essenciais - a aprendizagem experiencial, a conexão social e a inclusão na comunidade -, este laboratório, em que a comunicação é uma ferramenta de equidade, pretende combater desigualdades, baixa participação, isolamento e solidão. Com um total de 16 horas, este projeto educativo destina-se a jovens entre os 16 e os 26 anos, com particular atenção aos jovens que se encontram numa situação social ou socioeconómica mais desfavorável.
A primeira edição do Laboratório de Comunicação em Público para Jovens arranca, assim, esta sexta-feira, dia 5 de dezembro, com 20 jovens de cinco países distintos da CPLP – Portugal, Angola, Guiné-Bissau, Brasil e Timor-Leste – que irão desenvolver de forma eficaz competências intrapessoais, interpessoais e cognitivo-criativas, enquanto experienciam um processo de aprendizagem memorável, divertido e participativo na área da comunicação em público. Esta edição culminará num evento final aberto a toda a comunidade, a realizar-se no dia 13 de dezembro, às 16h30, na Casa da Comunidade Sustentável (local a confirmar e a ser anunciado nas páginas da Sala Comum).