A data ainda não foi oficializada, mas já é apontada como provável. A 4 de fevereiro, José Ribau Esteves, juntamente com os restantes quatro novos presidentes das CCDR (Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional), deverá ser empossado no cargo. Poucas horas depois de ter sido eleito, o antigo presidente das Câmaras de Ílhavo e de Aveiro deu nota da sua determinação para o novo desafio que está prestes a abraçar. Em entrevista à Aveiro Mag, também falou sobre algumas daquelas que serão as suas prioridades, sem fugir à questão das buscas realizadas recentemente pela PJ no município de Aveiro.
Logo após a eleição, em declarações à Agência Lusa, falou numa votação expressiva, Estamos a falar de que números...
Os números definitivos não devem demorar. O que é que aconteceu é que existiu um conjunto de câmaras que não mandaram os resultados para a DGAL. Aconteceu isto em todo o país e, portanto, não houve resultados consolidados. Mas fui recebendo os resultados que me permitiram dizer isso mesmo: a taxa de participação na foi muito alta, portanto , esmagadora maioria dos eleitores foram votar, e dentre os que foram votar, a votação também foi muito alta no candidato.
[Algumas horas depois de Ribau Esteves conversar com a Aveiro Mag, eram publicados, no site da DGAL – Direção Geral das Autarquias Locais, os resultados finais. Ribau obteve 2.092 votos, num universo de 2.647 votantes (houve 459 votos brancos e 96 nulos), acabando por ser o presidente, entre os cinco que ontem foram eleitos, que teve mais elevada percentagem de votos],
Já tinha anunciado algumas linhas de ação. Recordo a proposta de ter ações descentralizadas. Acha que é importante levar a CCDRC e as suas ações aos vários cantos da região?
Muito importante. Ainda por cima, nós somos uma região com esta dupla vida, a região plano tem 77 municípios, a região dos fundos comunitários regionais tem 100 e, obviamente, que a presença de uma entidade, com eventos, reuniões, por todo o território, das muitas coisas que tem para fazer, é muito importante.
Essa proximidade, por um lado, aprofunda conhecimento – e eu só acredito em bons gestores que conhecem o território – e, por outro lado, laços, cria dinâmicas positivas para nós conseguirmos valorizar e rentabilizar ao máximo possível os valores, os chamados recursos endógenos que cada terra, cada pedaço da nossa região, tem. E esse é um dos nossos objetivos: é puxar por tudo para conseguirmos ir subindo nos patamares da coesão social, da coesão territorial e, obviamente, do desenvolvimento económico.
Permita-me destacar também a questão da gestão da floresta, um dossier que cada vez mais deve estar na ordem do dia, pela incidência dos fogos florestais e também pelas alterações climáticas...
Exatamente. Eu escrevi com essa expressão diferente, agenda especial para a floresta, primeiro por um motivo positivo: a floresta é um recurso importantíssimo da região centro, em termos económicos, em termos ambientais, na dimensão da relevância turística da região centro. Ela já é um recurso importante, já é um elemento relevante nestas áreas que acabei de referenciar, mas a lógica é ser mais. Temos muito mais para tirar, num sentido bom do termo, da nossa floresta.
E, por outro lado, também essa questão que motivou a sua pergunta. Acho que nos últimos anos, nas últimas décadas, não houve ano nenhum em que a floresta da região Centro não fosse motivo de má notícia pelos incêndios. Essa diminuição dessa doença crónica, obviamente, tem que ser um objetivo de todos nós. Isso tem a ver com o ordenamento, com o planeamento, tem a ver com muitas tarefas que temos todos para fazer, cada um com o seu contributo. E, portanto, eu entendi nessa relação de prioridades que esta tal agenda especial tinha que ter primazia. Repito: primeiro por motivos positivos, tirarmos mais proveito dela, cuidarmos melhor dela; e, por outro lado, obviamente, baixarmos (queremos todos chegar ao zero) essa incidência negativa anual que os incêndios têm tido na nossa região.
Já geriu um município de pequena dimensão, outro de maior dimensão, agora acaba por ter uma abrangência de tantos municípios. Como é que se sente neste momento?
Tranquilo, motivado, muito determinado e alegre com a oportunidade que a vida, as pessoas e a política me dão de poder servir o meu país nesta nova unidade de gestão pública que é uma CCDR. Obviamente, que cuidando da sua relação muito especial com o governo do país. É bom lembrar que as CCDRs, embora com um nível de autonomia relevante, são estruturas desconcentradas da administração do Estado. Como é evidente, nesse quadro têm uma relação muito especial de trabalho com o governo do país e, por outro lado, têm uma relação de trabalho muito especial com os municípios. E, obviamente, que um autarca como eu, com essa longa experiência de 28 anos de presidente de câmara, leva o seu património de conhecimento, de lidar com os instrumentos financeiros, de ordenamento do território, etc., para tirar o melhor de si para dar à região Centro e, obviamente, aquela terceira área, governo, autarquias, municípios e, enfim, as outras instituições públicas - e destaco sempre as universidades e os institutos politécnicos - e privadas - as empresas privadas que são o motor principal da nossa atividade económica. Portanto, é nesse quadro de trabalho de equipa que eu me vou colocar na liderança da CCDR.