José Marinho Vaz chegou à presidência da Cáritas Diocesana de Aveiro no passado mês de novembro, depois de ter assumido o cargo de vice-presidente durante mais de um ano. Antigo vereador da Câmara Municipal de Ílhavo, José Vaz esteve, durante muitos anos, ligado ao associativismo juvenil – foi presidente d’A Tulha e dirigente da Federação Nacional das Associações Juvenis –, experiência que ajuda a explicar a razão de ser de um dos projetos que pretende implementar na instituição que agora lidera. “Tenho o desejo de criar um grupo que seja a Cáritas Jovem, com esse nome ou outro qualquer, mas que possa, de alguma forma, trabalhar em conjunto com a Cáritas e também trazer-lhe outra energia”, revelou, em conversa com a Aveiro Mag.
“Já existem em Portugal algumas Cáritas Diocesanas com Cáritas Jovem. Não são muitas, penso que são umas quatro ou cinco, de um total de 20, mas gostaria muito que Aveiro pudesse ter uma”, comentou, assegurando que estar já a trabalhar, com a sua equipa, nesta ideia.
Na calha podem estar também outros projetos envolvendo os mais novos, mais concretamente os estudantes universitários. José Vaz equaciona a possibilidade de apostar em projetos intergeracionais, “criando algumas sinergias entre os jovens que estão a frequentar a universidade e os mais idosos, por exemplo”. “Já tivemos alguns contactos com o Centro Universitário de Fé e Cultura e também queremos ter com a Associação Académica da Universidade de Aveiro”, adiantou o diácono, admitindo a hipótese de implementar um projeto idêntico aos que já acontecem noutras cidades, nomeadamente no Porto, e que promovem a convivência entre estudantes universitários e seniores que vivem sozinhos – proporcionando alojamento acessível aos jovens e companhia aos idosos, combatendo, assim, o isolamento social e facilitando a partilha de despesas ou rendas baixas.
Sendo o organismo oficial da Igreja Católica responsável por, na diocese de Aveiro, exercer e promover a ação social, a instituição tem diversas valências de apoio e auxílio à sociedade, entre as quais estão as respostas destinadas à infância (centro de acolhimento temporário, creche e pré-escolar), à família e à comunidade (atendimento/acompanhamento social, banco de ajudas técnicas), às pessoas em situação de sem abrigo (dispõe de um centro de acolhimento temporário), e às pessoas vítimas de violência doméstica. “Temos a única casa-abrigo para homens vítimas de violência doméstica, em Portugal. Há várias para mulheres, mas para homens vítimas de violência doméstica só existe esta”, vincou, a propósito da valência que dá guarida a homens agredidos por mulheres, pais agredidos por filhos e filhos por pais. “É um desafio para a instituição, pois uma coisa é trabalharmos com idades mais ou menos regulares, entre 30 a 60 anos, por exemplo. Aqui, é diferente, trabalhamos com idades entre 18 e 80 anos. Temos todas essas gerações na mesma casa”, reparou.
Relativamente à resposta destinada às pessoas em situação de sem abrigo, mais do que garantir-lhes alojamento e apoio ao longo do dia, o objetivo final passa por “ajudá-los na sua autonomização, a arranjar casa, a arranjar trabalho, a tentar devolvê-los, entre aspas, às famílias”. “Não é fácil, mas mesmo que só consigamos a autonomização de uma pessoa por ano já é bom”, apontou, baseando-se nos números dos últimos três anos. “O trabalho social é isto, não é com grandes números, mas um pequeno número já é uma vitória. Portanto, acho que o trabalho que aqui se faz, e nós temos gente excelente a trabalhar com eles, tem sido muito importante”, frisou.
Um novo centro para a infância
Na vertente do apoio à infância, o Centro de Acolhimento Temporário (CAT) absorve grande parte das atenções. Tem capacidade para 18 crianças que “são, por algum motivo, retiradas à família ou são órfãs”. No mesmo edifício, funciona também a creche e o pré-escolar, que surgem “quase como um complemento, pois respondem às crianças que nós temos nesse centro, mas também para outras famílias”. José Vaz reconhece que o edifício, propriedade da Câmara Municipal, que alberga estas respostas “não tem as devidas condições para funcionar com estas três valências”. No futuro, e atendendo a que a Câmara de Aveiro já doou, em 2009, à Cáritas Diocesana um terreno no Viso, a aposta passa por construir um edifício novo. “Esse é um projeto muito grande para o futuro. Já estamos com o projeto em elaboração, já foi entregue a uma arquiteta e espero que em breve possamos ter o projeto pronto para depois nos podermos candidatar a fundos que possam surgir”, adiantou José Vaz.