Mais de uma centena de pessoas reuniu-se ontem, dia 16 de fevereiro, na Gafanha da Boavista, para uma sessão pública de esclarecimento promovida pela câmara de Ílhavo sobre o estado da Ponte da Vista Alegre. Horas antes, uma vistoria técnica realizada no local tinha confirmado o grau de degradação de vários elementos –, nomeadamente vigas metálicas interiores e madeira sob o tabuleiro – da infraestrutura construída em 1973 e atualmente encerrada ao trânsito automóvel.
Rui Dias, presidente da autarquia, explicou que a decisão de encerrar a ponte ao trânsito resultou de um relatório da Proteção Civil datado de 19 de dezembro, que recomendou o fecho imediato da infraestrutura. “Determinamos o encerramento imediato da ponte para garantir a segurança dos utilizadores da ponte”, afirmou, sublinhando que a estrutura “já estava em muito mau estado” antes da tomada de posse do atual executivo, a 2 de novembro.
Segundo o autarca, o desvio de trânsito motivado pelas obras na Rua do Sul contribuiu para agravar a degradação, aumentando a circulação de veículos pesados sobre a ponte. Rui Dias rejeitou críticas políticas, considerando “mentira” que o PSD tenha bloqueado uma solução anterior. “O que o PSD decidiu foi impedir que uma solução que estava estimada em 600 mil euros custasse 3 milhões de euros”, declarou. “Estamos a dar a cara para este problema”, acrescentou, justificando a realização daquela sessão com a intenção de manter a “proximidade” com os munícipes.
Para avaliar os danos e apontar soluções, o município solicitou apoio à Universidade de Aveiro e ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil. Na sessão, Hugo Rodrigues, do Departamento de Engenharia Civil da UA, apresentou as primeiras conclusões da inspeção realizada durante a manhã. Segundo explicou, a ponte assenta em pilares metálicos e quatro vigas longitudinais em aço. As duas vigas exteriores encontram-se em “relativas boas condições”, mas as duas vigas centrais apresentam “um nível de corrosão muito significativo”, com destacamento de lâminas de ferrugem e redução da espessura resistente, sendo que vários suspensórios metálicos se encontram partidos.
No tabuleiro, a análise revelou uma situação distinta à superfície e no interior. A madeira visível aparenta condições aceitáveis, mas a subestrutura inferior apresenta degradação acentuada por humidade e apodrecimento. “Espetava-se o dedo e o dedo entrava pela madeira adentro”, descreveu o docente, referindo-se a ensaios simples de verificação no local e à necessidade de substituição integral desta estrutura que suporta o pavimento.
Embora a estabilidade global não esteja imediatamente comprometida, a equipa técnica considera prudente manter a ponte encerrada ao tráfego rodoviário até conclusão da análise estrutural detalhada. O relatório técnico deverá definir se a solução passa pela reabilitação da estrutura existente – reforço das vigas metálicas e substituição integral da madeira – ou se será necessária construção de uma nova ponte.